Rio anuncia US$ 550 mi em data centers para IA no Parque Olímpico

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, anunciou um aporte de US$ 550 milhões de dólares pela norte-americana Elea para a primeira etapa do Rio AI City. O projeto prevê um campus de data centers no Parque Olímpico com capacidade para alcançar a geração de até 3.2 gigawatts até 2032. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa do evento Web Summit Rio, o maior evento de tecnologia da América do Sul. Por que importa: A corrida por infraestrutura de IA é real e urgente. Se o Rio conseguir...


Quarta - 10 de Junho de 2026 às 09:16
UOL Tecnologia

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, anunciou um aporte de US$ 550 milhões de dólares pela norte-americana Elea para a primeira etapa do Rio AI City. O projeto prevê um campus de data centers no Parque Olímpico com capacidade para alcançar a geração de até 3.2 gigawatts até 2032.

O anúncio foi feito em coletiva de imprensa do evento Web Summit Rio, o maior evento de tecnologia da América do Sul.

Por que importa:

A corrida por infraestrutura de IA é real e urgente. Se o Rio conseguir executar o que promete, pode ocupar uma posição estratégica nessa disputa. A aposta se apoia na combinação de ampla oferta de água, conectividade por cabos submarinos e capacidade de formar e atrair talento local.

Cavaliere reforçou o investimento da prefeitura na educação focada em STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

"312 escolas do município têm programas de robótica, programação e lógica desde os primeiros anos. É preciso aprender matemática, mas também português, para executar bem os prompts", Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio

O prefeito destacou a evolução da cidade no crescimento percentual do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) (12% nos anos iniciais, de acordo com o relatório de 2024).

A coletiva contou também com a presença de Paddy Cosgrove, fundador do Web Summit, que organiza cinco eventos de tecnologia ao redor do mundo: Lisboa, Rio de Janeiro, Doha e Vancouver (Canadá).

No Brasil, o evento cresce cerca de 20% ao ano desde a primeira edição, há quatro anos. Para Cosgrove, o Rio segue o mesmo caminho de Lisboa, "cidades que têm qualidade de vida, retêm e atraem talentos. O Rio é uma porta de entrada para a América Latina e registra interesse crescente de empresas chinesas."

Neste ano, devem circular pelos corredores do evento cerca de 40.000 participantes de mais de 100 países. O evento tem muitas trilhas de conteúdo - investidores e startupeiros compõem o público principal.

Especialistas criticam tramitação do Marco Legal da IA

A IA continua central nas discussões. No último painel de conteúdo do dia, subiram ao palco principal do evento Bruno Lewicki, head de políticas públicas da OpenAI, e o advogado especializado em tecnologia Ronaldo Lemos.

Lewicki destacou a parceria com o TSE no desenvolvimento de um protocolo para identificação de imagens geradas por IA, o Synth ID. "Com a presença de novas tecnologias, teremos uma eleição de aprendizado mútuo", destacou.

Ambos criticaram a tramitação às escuras do PL 2338/2023, conhecido como o Marco Legal da Inteligência Artificial no Brasil.

"Copiamos a lei europeia de 2019, que já foi toda modificada. Somos o país que criou o Marco Civil da Internet. Não precisamos copiar ninguém", protestou Lemos.

Ao final, o advogado provocou os presentes. "Precisamos de regulamentação no Brasil para não depender da OpenAI. O Brasil tem desenvolvedores incríveis. Poderíamos adotar modelos open source."

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